Nascido em 1979 na cidade de Fortaleza-CE, iniciou sua relação com a música ainda na infância, quando viveu no Rio de Janeiro cercado pela mata atlântica. Os sons da floresta, especialmente os bambus em polirritmia, marcaram profundamente sua percepção musical. Autista e com altas habilidades, alfabetizou-se precocemente e encontrou na arte seu principal meio de expressão e conexão com o mundo.
De volta à Fortaleza, destacou-se na escola pelo talento artístico e, aos 9 anos, ingressou na banda marcial após impressionar um professor com sua precisão rítmica. Na adolescência, consolidou experiência de palco em bandas de baile e forró, explorando repertórios que iam de Luiz Gonzaga à música latina, rock, samba e axé. Sua voz afinada e facilidade de improviso o levaram a atuar também em estúdios, gravando jingles e arranjos vocais.
Sua trajetória ganhou novo rumo ao estudar teoria musical para obter a carteira profissional da OMB, quando foi orientado a investir no canto lírico por conta da voz aguda e rica em harmônicos. No Conservatório Alberto Nepomuceno e na UECE, estudou com importantes professores, participou de corais, do grupo de flautas, cantatas e master classes, além de atuar como monitor bolsista no Coral da UECE. Em 2007 foi convidado para ser preparador vocal e ensaiador do naipe de tenores da ópera O Cientista, de Silvio Barbato. Por sua performance, foi convidado pelo maestro para ser solista em um dos atos da ópera.
Mas foi a partir dos estudos de harmonia e arranjo contemporâneo, que Glairton mergulhou no universo de gêneros brasileiros como o choro, o samba e a bossa nova com abordagem jazzística, consolidando um estilo próprio de interpretação que pode ser notado também em suas composições.
Como compositor Glairton atuou também no teatro, produzindo trilhas originais para peças e musicais. Em 2005 ganhou o prémio de melhor sonoplastia pela trilha original e direção musical dos espetáculos A Vaca Lelé e Francisco Vive. Outros espetáculos de destaque foram: Iracema dos lábios de mel, Ópera do Malandro, Anônimos, Dr, Qorpo e Capitu conta Capitu.
Em 2014 formou-se em Musicoterapia e, desde então, desenvolve um trabalho de referência na área clínica e na pesquisa. Em reconhecimento desse trabalho, em 2024 foi homenageado na Assembleia Legislativa do Ceará, por seus notórios serviços prestados à sociedade e pela representatividade como pessoa autista.
Em 2025 foi selecionado para o Laboratório de Música da Escola Porto Iracema das Artes onde desenvolve atividades de composição de Choro cantado sob Tutoria da compositora e arranjadora Debora Gurgel (SP).
Glairton sempre manteve uma atuação como educador e pesquisador. Exemplos dessa atuação são os projetos comtemplados em Editais de fomento. Destacam-se: Fundamentos do Canto Expressivo, Ato de cantar: Manual Teórico e Prático para Cantores da Noite e sua pesquisa no Mestrado em saúde da mulher e da criança realizado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.
Atualmente, Glairton se destaca pela interpretação refinada, pela improvisação vocal e por arranjos criativos e vívidos, com forte predominância rítmica e valorização da musicalidade poétia das palavras, marcas profundas de sua trajetória singular.




